Entrevista - Vadré Nascimento

Painel da música

Preparar, apontar, Som!

Quando o assunto é “guitarra rock”, com certeza ele é um nome que não pode ser descartado: Vandré Nascimento iniciou seus estudos em 1995 sendo aluno elogiado dos guitarristas: Kiko Loureiro, Kiko Moura, Joe Moghrabi, Michel Leme, e Mozart Mello. Tem trilhado uma excelente carreira, ele foi considerado o melhor guitarrista de heavy metal da América Latina pelo site oficial da banda angra e eleito 13º melhor guitarrista de heavy metal do mundo pela revista Metal Invader. Vandré Nascimento já participou de workshop´s com alguns dos nomes mais conceituados do Brasil (Joe Moghrabi, Kiko Loureiro, Lyba Serra, Michel Leme, Mello Jr., Rafael Bittencourt, Felipe Andreoli, Luiz e Hugo Mariutti, Ricardo Confessori, Ximba Uchyama, Alaor Neves, Aquiles Priester, Marcos De Ros, Mestre Dinho Gonçalves, entre outros). Atualmente está em trabalho de pré-produção do primeiro cd da banda Remmoto, em 12 de maio estará realizando um workshop na Tom Musicalstudio ao lado do guitarrista Danilo Ferreira e cedeu para nós uma entrevista.

Como foi o começo? O que te inspirou a tocar guitarra?

Tudo começou meio que por acaso, o que eu realmente gostaria de ter sido era piloto de stock car ou de arrancada, mas fui tocando guitarra apenas por prazer e as coisas começaram a ficar profissionais demais, dava aulas, fazia workshops já com grandes nomes da guitarra do Brasil e quando dei conta já vivia de música e hoje em dia, o esporte arrancada é um hobbie, sendo a música o meio de vida, e é o que eu digo para alguns alunos, valeu cada segundo investido na primeira arte do mundo! Sem a música não vivo!
Minha primeira e principal influencia, foi meu pai que sempre quis que eu tocasse, mas não correspondi na época, trocando meu primeiro violão por uma bola de futebol de salão!!! (risos)
Mais tarde com a abertura da MTV e com o lançamento da banda Guns n’Roses, pirei de vez com os solos de guitarra do mestre Slash, começando aí o sonho de ter uma banda e fazer sucesso. Mas dessa época fiquei de molho por muito tempo ainda pois não tinha grana pra pagar por aulas de música. Foi quando vi um guitarrista chamado Faíska que decidi que queria ser músico de verdade, aí sim procurei o conservatório Souza Lima, onde mais ou menos dois anos de estudo comecei a dar aulas e assim estou até hoje; São 10 anos lecionando e encaminhando profissionais em diversas áreas da música.

Você estudou improvisação com o saxofonista David Richards. Em que isso te ajudou para o seu trabalho atual?

O estudo com David me abriu caminhos que nunca havia percorrido, pois até então conhecia muito pouco de aplicação de escalas, arpegios e pentatônicas. Cada professor que tive me mostrava sua vivência musical a sua maneira e assim fica um pouco sem lógica, pois não sabia em que tipos de acordes poderia usar os diversos modos de escalas que sabia. Até hoje vejo caras ensinando que o aluno deve se preocupar com a velocidade esquecendo da musicalidade que ao meu ver deve sempre vir em primeiro lugar, pois de nada adianta o cara tocar 1650 notas por segundo e não te emocionar em nada!!!! Enfim tudo o que o David me ensinou, levo em minha bagagem e hoje em dia posso tocar qualquer estilo de música sem problema algum; Ele me transformou em um músico não em um simples instrumentista!

Você tocou um tempo ao lado de um dos nossos professores (Aníbal Garcia), conte um pouco de suas experiências com esse grande músico.

Cara, o Aníbal foi sem dúvida nenhuma um dos melhores baixistas que tive o prazer de tocar junto. No começo era fácil de ensaiar, pois morávamos no mesmo bairro, um tempo depois me mudei pro Ipiranga e aí começamos a ter uns problemas de horário.Logo as divergências musicais apareceram, e fomos cada um pro seu lado, mas lógico que sempre fomos muito amigos e nada no mundo vai mudar isso! Como ele sempre foi muito estudioso, passou a se interessar pelo Jazz, Funk etc...que são estilos muito complicados para ter um resultado legal, então ele se dedicou a fundo não tendo mais tempo para se dedicar à banda, e sinto falta dele até hoje, porque é muito difícil achar baixistas do gabarito dele e na minha opinião ele é um dos melhores baixistas do Brasil!

Você tocou com diversos músicos conhecidos e respeitados em todo Brasil. Qual desses foi mais marcante pra você?

Todos tiveram grande importância em minha vida, mas no momento que mais precisei, fiz um workshop com alguns nomes da guitarra no Brasil: Rafael Bittencourt, Kiko Loureiro, Michel Leme, Joe moghrabi, Mello Jr, Thiago Righi; que me deu um upgrade e conquistei meu espaço como um dos melhores guitarristas e professores do Conservatório Souza Lima, e nesse show o Aníbal participou também ao lado de meus irmãos Lennon (bateria) (e Bruno Nascimento Teclado).

Tive o prazer de ser um de seus alunos, me lembro quando chegava de manhã para as aulas e você estava com a guitarra no colo, tocando com as duas mãos na escala. Como você se sente sabendo que tantos alunos se inspiram ou se inspiraram no seu trabalho?

É um prazer enorme, é um sentimento de vitória. Imagine um cara que não tinha grana nem para comer direito influenciar direta ou indiretamente uma geração de guitarristas! È o resultado de muita perseverança e dedicação! É a prova viva de que quem quer de verdade chaga lá! E tudo isso se paga quando me encontro num palco com um desses caras, não mais como professor-aluno e sim como dois profissionais e acima de tudo como amigos e companheiros de trabalho, e é isso que me mantém vivo e perseverante sabendo que caras como você aproveitaram cada dica que pude dar e repassam essas dicas, mantendo assim a tradição de formar a cada dia um novo músico!

Você pode revelar para nós o segredo de uma técnica tão apurada e que faz inveja a tantos guitarristas? Como chegou a esse nível e o que te influenciou?

O segredo é ouvir muita música, ter muita paciência e disciplina acima de qualquer coisa. O que me influenciou e continua me influenciando são os alunos e amigos que de uma forma ou outra reconhecem meu esforço e dedicação à música. Basicamente o segredo é somente tocar, tocar e tocar, pensando não somente na quantidade, mas na qualidade das coisas que estuda.

Fale para nós um pouco do trabalho com sua nova banda Remmoto. Para quando é o cd e como estão as agendas?

A banda Remmoto é um projeto onde resgatamos o que se perdeu no velho e bom Rock n’ Roll. Composições em português, riffs marcantes e solos melódicos à la Van Halen, Slash! Letras que remetem à paz, críticas sociais, ao amor, à vida são algumas das novidades da banda. Conto com músicos de primeira linha como Jucy Nascimento (calma ele não é meu irmão!) nos vocais, Marcelo e Cássio Salles, pai e filho tocando guitarra e baixo respectivamente, o baterista é o Caio, professor no EMeT, e eu mandando ver nos solos e riffs pesados! Estamos no fim das pré-produções, e queremos finalizar os trabalhos de composição ainda nesse semestre, aí voltaremos a tocar ao vivo pra galera do rock! Vale a pena esperar!

Deixe um recado para os guitarristas da Tom Musicalstudio.

Primeiro quero agradecer o espaço e a atenção que me deram até agora e para galera da Tom musical o que digo é que temos que nos dedicar ao máximo à arte de fazer música, isso está ao alcance de todos, basta que estudem direito o que seus professores passam, pois a diferença entre os alunos e professores é que os mesmos começaram antes!!!!! Estudem que vale a pena, valorizem seus professores, porque ensinar música também é uma arte!
Abraços a todos!
 

Entrevista de Danilo Ferreira cedida exclusivamente à Tom Musicalstudio.
Fotos: Aníbal Garcia / Divulgação.

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