Entrevista - Adriano Giffoni

Painel da música

Nossa Música, Nosso Tesouro

Adriano Giffoni é o que podemos dizer de um músico que teve como sua estratégia de vida musical a nossa música. Natural do estado do Ceará teve seu início na música aos 15 anos de idade tocando violão nos bares a beira mar em Olinda. Mais tarde passou a tocar baixo nos grupos de baile em Recife. Dai em diante inicia a história de um dos mais respeitados e requisitados baixistas do país cujo currículo encontramos participações em gravação e shows com artistas como: Djavan, Elba Ramalho, Emilio Santiago, Ivan Lins entre muitos outros representantes de nossa música.
 

Adriano, você é um baixista que possui grande experiência musical, tendo realizado shows e wokshops por várias partes do mundo e do Brasil. O que pesa mais para que o músico brasileiro possa realmente ter seu trabalho próximo de outras culturas e pessoas em sua opinião?

O mais importante é ter um foco que seja importante e que aborde assuntos do interesse de músicos de vários países. Ter o trabalho organizado, também é fundamental pois facilita a didática e dá muito respeito ao professor. Embora eu tenha que tocar vários estilos pra viver de música no Brasil, eu direcionei o meu trabalho para uma pesquisa de ritmos brasileiros que resultou em dois livros: Música Brasileira para Contrabaixo lançados no Brasil pelas editoras Irmãos Vitale e Lumiar. Esse trabalho teve uma ótima repercussão e foi adotado pelo departamento de baixo da Berklee nos EUA, como referência de música brasileira.
O músico brasileiro, também precisa acreditar mais na sua qualidade e investir na originalidade em vez de ficar só copiando tudo que se faz nos EUA. Nós temos a melhor harmonia e variedade de estilos musicais do mundo.
Estou indo dia 22 de Outubro para o Japão onde vou fazer 12 shows com Roberto Menescal, Marcos Valle e Carlos Lyra pra tocar Bossa Nova cantada e instrumental e os shows já estão todos lotados.
O cd Live in Blue Note da Gal Costa, gravado ao vivo em 2006 em New York com um repertório de Jobim e Dorival Caymmi, está tocando em todas as rádios americanas e agora será lançado no Brasil.

Estive recentemente estudando o seu método publicado pela editora Vitale "Música Brasileira para Contrabaixo" e me surpreendi com a variedade de estilos além das muitas formas de aplicação disponíveis. Conte como foi realizar esta pesquisa já que não existem muitos livros direcionados especificamente aos estilos brasileiros para o contrabaixo.

Essa pesquisa foi feita aproveitando as viagens com artistas como Emílio Santiago, Tim Maia, Roberto Menescal e Sivuca . Em cada lugar que eu passava eu procurava os centros culturais e comprava cds dos ritmos da região. Quando eu ví, eu já estava com muita informação sobre as levadas e harmonias e dos estilos e com isso eu elaborei os exemplos de baixo dos dois livros. A parte de música nordestina, eu já crescí ouvindo pois meu pai me levava para ver as cirandas, grupos de forró , bandas de frevo , maracatú etc.
Eu aprendi variações sobre o samba quando mudei para o Rio de Janeiro com os músicos do subúrbio, pois na zona norte eles tocam samba mais tradicional e também com pitadas de funk. A relação das levadas da percussão nos ritmos brasileiros foi muito importante e eu sempre falo para os baixistas que isso é um elemento que faz a diferença pra quem tocar bem os ritmos. O primeiro livro demorou dois anos para ser escrito e agora quero fazer um trabalho em DVD com exemplos de prática de conjunto e novas levadas de baixo.

Além deste novo projeto em DVD, você já pensou em lançar um método que fosse direcionado a outros instrumentos além do baixo?

Nos meus livros eu já dou dicas para condução de violão pois eu gravo as levadas nos exemplos de baixo. No DVD que pretendo lançar, os bateristas e guitarristas vão ter um ótimo material de ritmos e variações de condução.
Quando eu participo de cursos eu gosto muito de dar aulas de prática de conjunto pois isso é uma grande deficiência no ensino da música do Brasil. O músico tem que ser preparado para as diversas situações que vai encontrar na vida profissional durante seu curso de conservatório ou Universidade.

Adriano conte um pouco sobre seu mais recente trabalho solo "Quixáda Acústico" que inclusive foi gravado inteiramente com o baixo acústico.

O Cd Quixadá Acústico foi um os meus discos mais planejados. Passei um ano compondo e fazendo pré-produção em casa e quando escolhi os dez temas mandei para os músicos um mês antes da data que escolhi para a gravação. Testei timbres de baixo acústico e preparei também as dinâmicas das bases. O baixo foi gravado com microfone AKG e captador Wilsom Pickups da Dinamarca. O técnico e co-produtor foi Daniel Cheese do Estúdio Carioca - RJ, que deu ótimas idéias sobre formas de gravação. No primeiro dia gravamos oito músicas já com solos valendo. depois gravei mais duas e fiz duas seções para sopros e percussão. Estou muito feliz com o resultado do cd e o trabalho está sendo bem recebido pela mídia nacional e internacional.

Como foi a experiência de gravar um CD somente com o baixo acústico?

Gravar um cd inteiro com o baixo acústico foi uma grande experiência. Pude usar os vários recursos do baixo e usei arco em vários temas. Gravei com os Baixos Nhureson Exportação e Elroi, fabricados no Brasil. as cordas foram as Thomastic Solo.

Na sua opinião o baixo acústico é um instrumento do qual todos os baixistas deveriam dedicar-se também?

O baixo acústico passou a ser fundamental para que os baixistas consigam trabalhar em várias áreas musicais como shows, trilhas sonoras,teatro, workshops, etc.
Com certeza a dedicação ao acústico e ao elétrico devem ser iguais e o mais importante é não ter preconceito musical e estudar todos os estilos.

Qual a sua mensagem aos músicos do Brasil e da escola Tom Musical?

Estudem pra valer a música brasileira pois nós continuamos sendo o principal ponto de referência de harmonia, ritmo e qualidade de melodias do mundo. Um abraço do Adriano Giffoni.

 

Entrevista de Aníbal Garcia cedida exclusivamente à Tom Musicalstudio.
Fotos: Divulgação.

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